ACRÓSTICO ONTOLÓGICO
José Henrique
Ferreira Leite
Poeta bissexto
Jazo – imerso – no breu da noite.
O pensamento visita ermos lugares,
Sai em vôo cego, rumo ao imponderável,
Expandindo-se por caminhos insondáveis.
Hirto, olhos fixos no infinito,
Eras passam velozes.
Nada vejo. Nada apalpo.
Refletindo, caio no vácuo.
Inquiro tudo. Sondo o imensurável:
Que é o Universo? Que significa, enfim?
Um desejo me assalta, atormenta a alma:
Entender a vida e a morte. A eternidade.
Fecho os olhos. Navego na amplidão.
Especulo. Excogito a imensidão escura.
Raios de luz rasgam sulcos na noite,
Resvalando em minhas retinas
Estrelas cadentes incendiadas.
Iridescentes bólidos errantes
Riscam – velozes – o firmamento,
Arrebentam em estilhaços fulgurantes.
Leio no imenso e escuro Universo,
Extraordinárias notícias galácticas,
Intrincados fenômenos celestes.
Tomo ciência da grandeza de Deus
Escondida nas noites siderais.