sábado, 4 de agosto de 2012


O LAVRADO PEDE SOCORRO

Autor: José Henrique Leite
Poeta bissexto


Dantes, motivo de orgulho, gozo e tanta alegria!
Percorrer o lavrado hoje é de dar pena, só agonia.

Imensa tristeza! Porque já não se pode passear mais
Pela vastidão dos campos, pelos infindáveis capinzais.

Meu Deus! Como isso me toca. Como isso me confrange.
Arrancaram o caimbezeiro e plantaram a tal acácia mange.

Uma planta que, sem cerimônia rouba nossos horizontes.
Sorve nossas águas. E sem dó vai sugando nossas fontes.

Voraz, insinua-se pelos campos, devorando densos mirixizais,
Ferindo de morte, velhas paricaranas e outras árvores regionais.

Mas, de onde veio? De onde o viço dessa vil leguminosa?
Não há lei, não há força que impeça sua ação perniciosa?

De quem é tamanha mentira, engodo e tanta falácia?
Que Roraima só tem a lucrar com essa maldita acácia?

Já passa a hora de impedir que essa árvore maldita
Cause ao lavrado maior estrago. Tamanha desdita!

Terá ela - no futuro - algum valor, alguma serventia?
Ou é o aviso da morte, o fim do lavrado que se inicia?

Meu Deus! Não dá para esperar. Urge acabar com isso,
Ou em pouco tempo todo o lavrado será de um tal suiço.
  
E, então, que será da nossa terra? Qual será a nossa sorte?
Ficaremos como bois na manga só esperando pela morte?

Ficaremos sempre mudos, eternamente de braços cruzados?
Hirtos, impassíveis, assistindo ao assalto dos nossos lavrados?

Nunca se tinha visto tamanho acinte ao povo de Roraima,
Tamanha agressão e desrespeito à pátria de Makunaima!

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